terça-feira, 30 de novembro de 2010

Novembro de má memória

Novembro é para mim, em definitivo um mês de má memória. Não bastava a “destruição do sonho” cuja efeméride foi lembrada na passada Quinta-Feira (25 de Novembro), outra me apoquenta hoje a alma, trata-se da minha saída da Cooperativa do Vidigal no Entroncamento finais de Novembro de 1977.
A quinta do Vidigal fazia parte da Cooperativa Agrícola de Argea.
Ocupada no PREC, claudicou como outras após a saída de Lopes Cardoso do Ministério da Agricultura. Ministério que veio mais tarde a cair nas mãos do sociólogo António Barreto, o coveiro da nossa experiência cooperativista no ramo da agricultura.
Na cooperativa vivi umas das mais extraordinárias experiências que o 25 de Abril me proporcionou, nomeadamente a vida em comunidade. Uma comunidade onde pontificavam militantes das mais diversas correntes de esquerda, sobretudo da esquerda revolucionária, nacional e internacional. Na cooperativa coabitavam cooperantes das mais diversas nacionalidades, de alemães ocidentais a belgas, de franceses a espanhóis e portugueses evidentemente, todos irmanados no espírito de que algo estava a mudar, de que “a liberdade está a passar por aqui”.
Não que não tivéssemos divergências… Claro que as tínhamos! Umas de carácter ideológico [Havia quem abraçasse a causa do comunismo, do socialismo… outros eram militantes, maoistas, outros anarquistas e alguns independentes. Havia também quem fosse ateu, outros crentes, católico ou de outro credo, tínhamos connosco um ex-padre católico, sei lá… éramos o que éramos, sem que ninguém perguntasse porque o éramos!] e outras por antagonismos de carácter ou de personalidade. Nada porem que nos impedisse de aprofundar a experiência comunitária bem como a exploração da terra e do lagar.
As razões porque saí do projecto não vêm a propósito – talvez um dia reflicta seriamente sobre elas – o que importa é que saí e que pouco tempo depois, a terra foi devolvida aos “donos”.
“Donos” que a abandonaram, que a devolveram ao pousio permanente, como já antes  tinham votado a terra, os pomares e o olival.
Até o lagar, que foi totalmente recuperado e reactivado por nós, foi abandonado em nome da sacra propriedade e do santo proprietário.
Tudo caiu no abandono, porque a terra não é de quem a trabalha.
As fotos que se seguem – fotos de 2007 – são bem o espelho deste sonho destruído…













Eis o que resta...

Sem comentários:

Enviar um comentário