Quando eu era menino, as brincadeiras estavam sujeitas a épocas: havia então a época do pião, e todos trazíamos o nosso pião no bolso; a época do botão, e os bolsos andavam carregados de botões; a época do jogo da pata, e lá andávamos nós com a pata e bastão nas mãos; a época do jogo do prego, etc…
Os miúdos e miúdas de hoje, terão porventura as suas épocas, com estas ou outras diversões, agora porventura com substancial peso para as brincadeiras tecnológicas, a vida é mesmo isso, e sem se repetir propriamente os ciclos esses continuam….

Pois, mas aí pelos anos sessenta, primeiros anos da década de setenta, em Castelo de Vide, recuperámos o capote, que entretanto caíra em desuso. Creio que a responsável pela iniciativa foi a Escola Preparatória Garcia de Orta. Se a memória não me falha, tudo se deveu a uma aula de história, onde a professora fez alusão aquela característica peça do trajar alentejano…
Depois fomos as arcas e baús, aos roupeiros dos nossos avós e pais e agarramos os que por lá havia. Furados pela traça uns, coçados pelo uso outros, a verdade é que o Capote ganhou nova vida. O meu, comprou-o minha mãe na Loja do Sr Macena (Massena?) na Carreira de Cima.
Usei-o dois invernos, tantos quantos os que depois do seu ressurgimento, vivi em Castelo de Vide, antes da diáspora que então iniciei…
Mas durante essa década, o capote passou a indumentária sazonal para a miudagem do ciclo, tal como os jogos e brincadeiras…
[Post também publicado em "O meu capote"]
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