
Tenho ideia que no fundo todos queriam o fracasso do pré-acordo, no entanto consumada a recusa ninguém sabe o que fazer com a “criança” que lhes caiu nos braços. Todos a queriam, mas agora ninguém é pai.
Longe de mim, criticar a soberana decisão dos trabalhadores, provavelmente se trabalhasse na Auto-Europa teria alguma relutância em votar “SIM”. Relutante talvez, mas ponderada a correlação de forças e o momento presente, o mais provável seria votar “SIM”.
Aqueles 250 trabalhadores que estão na iminência de não renovar contrato, provavelmente não tiveram hesitações e o seu voto foi o “SIM”, o mesmo aconteceria com aqueles trabalhadores que trabalham nas pequenas empresas que dependem da Auto-Europa, esses se tivessem oportunidade também votariam “SIM”.
Mas, deixando de lado os “ses”, até porque a história não se escreve na base do “se”, a verdade é que a decisão está tomada e o pré-acordo foi rasgado.
Cabe agora, como já escrevi, à CT e aos trabalhadores descobrir a adequada resposta, estou certo que a encontrarão.
Mas, e aqueles que esfregam as mãos de satisfação pelo fracasso do pré-acordo, não têm uma palavra a dizer?
Há silêncios que ecoam mais alto que os berros!
Nota: Não acho que os trabalhadores que votaram “Não”, ao fim e ao cabo a maioria dos trabalhadores da Auto-Europa o tenham feito de ânimo leve, provavelmente estão fartos de perder, enquanto à sua volta, uns poucos ganham cada vez mais. Penso contudo que há recuos que trazem ganhos dobrados.
Não era Lenine quem defendia a teoria de “dois passos atrás, um passo à frente”?
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Também editado no "Preia-Mar"
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